Se você acabou de receber o diagnóstico de TEA do seu filho, a primeira coisa que quero te dizer é: você não precisa resolver tudo essa semana. É normal sentir um misto de alívio (finalmente uma resposta) e medo (e agora?) ao mesmo tempo, e está tudo bem se o primeiro passo for simplesmente respirar antes de agir.
Organize primeiro o que você já tem
O laudo diagnóstico é a base de praticamente tudo que vem depois: as terapias, os direitos na escola, o acesso a benefícios. Antes de sair correndo atrás de tudo, vale reservar um tempo para organizar esse documento, guardar cópias e entender o que ele descreve. Esse pequeno passo administrativo evita muita correria depois.
Monte a equipe aos poucos
É tentador querer começar tudo ao mesmo tempo, mas isso costuma sobrecarregar tanto a criança quanto a família. O time que geralmente se forma ao redor de uma criança com TEA inclui neuropediatra ou psiquiatra infantil, psicólogo (podendo incluir abordagens como o Floortime), fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e, mais adiante, psicopedagogo, quando a demanda escolar pedir. A recomendação que costumo dar é: comece pelas uma ou duas áreas que representam a necessidade mais urgente do seu filho naquele momento, geralmente comunicação e regulação sensorial, observe como ele responde, e vá acrescentando as demais aos poucos, no ritmo dele.
Conheça os direitos garantidos por lei
No Brasil, a Lei Berenice Piana (Lei 12.764/2012) reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para fins legais, o que garante, entre outras coisas, atendimento multiprofissional pelo SUS e o direito de matrícula escolar, com penalidades previstas para escolas que recusarem. Os planos de saúde também são obrigados, por regulamentação da ANS, a cobrir sessões de fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia para quem tem diagnóstico de TEA, sem as antigas limitações de quantidade de sessões. Famílias de baixa renda podem ter direito ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), e alguns estados já emitem a CIPTEA, uma carteira de identificação que dá prioridade em atendimentos, sendo interessante verificar se ela já está disponível na sua cidade. Como esse tipo de regra muda com frequência, o ideal é confirmar os detalhes atualizados com um profissional da área jurídica ou com a associação de autismo da sua região.
Converse com a escola
Leve o laudo até a escola e converse abertamente sobre as adaptações que seu filho pode precisar. A Lei Brasileira de Inclusão reforça o direito à educação inclusiva, e, dependendo do caso, também o direito a um profissional de apoio em sala. Quanto antes essa conversa acontecer, mais tempo a escola tem para se organizar junto com vocês.
Fale com a família e os irmãos no tempo certo
Não existe um roteiro único aqui, mas conversas simples e adequadas à idade costumam funcionar melhor do que um grande anúncio único. Com irmãos, vale explicar de um jeito concreto o que muda no dia a dia, sem exagerar nem minimizar. Com a família mais ampla, esteja preparada para precisar explicar (às vezes mais de uma vez) o que o diagnóstico significa e o que não significa.
Cuide de você também
É bem descrito, na literatura sobre o tema, um processo parecido com um luto: o luto da criança que você imaginava, mesmo enquanto você ama profundamente a criança real que está diante de você. Sentir isso não é falta de amor, é parte de reorganizar expectativas. Buscar apoio, seja terapia para você, seja grupos de outros pais que passam por algo parecido, faz muita diferença. E evite ao máximo se comparar com a trajetória de outra família: o caminho do seu filho é só dele.
Alguns tropeços comuns nesse início
Tentar começar tudo de uma vez só costuma esgotar a família e a criança. Correr atrás de tratamentos milagrosos sem respaldo científico raramente ajuda, e pode até atrasar o que realmente funciona. Passar horas pesquisando no Google até catastrofizar também não ajuda ninguém, embora seja uma tentação enorme nesse momento. E se isolar, evitando pedir apoio, tende a tornar tudo mais pesado do que precisa ser.
Você não precisa caminhar por tudo isso sozinha. Se quiser conversar sobre por onde começar com a rotina do seu filho, clique no botão abaixo e vem falar comigo pelo WhatsApp.
Este artigo faz parte do guia completo: Autismo Infantil: Guia Completo.
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