É muito comum que uma criança em Floortime também esteja em acompanhamento com terapia ocupacional focada em integração sensorial. Vamos entender por que essas duas frentes costumam caminhar juntas.
O que é a integração sensorial
A integração sensorial, na abordagem desenvolvida por Jean Ayres, é o trabalho feito por terapeutas ocupacionais com os sistemas proprioceptivo, vestibular e tátil, através de atividades lúdicas como balanços, exploração de texturas e escaladas. O objetivo é construir, junto com a família, uma espécie de dieta sensorial individualizada, pensada para ajudar a criança a se regular, não para “curar” uma hipersensibilidade.
A base que sustenta o Floortime
Aqui está a conexão direta com o meu trabalho: a primeira das capacidades que sustentam todo o modelo DIR é justamente a regulação e o interesse pelo mundo. Uma criança que está sensorialmente desregulada simplesmente não consegue entrar em uma interação relacional mais complexa. Por isso a terapia ocupacional e o Floortime raramente competem entre si, elas se complementam: a TO trabalha a base regulatória do corpo, e o Floortime constrói a relação a partir dessa base.
O que diz a evidência científica
Quero ser honesta com você aqui: a integração sensorial tem um histórico de evidência científica que já foi mais controverso, com recomendações mais cautelosas há alguns anos. Revisões mais recentes, usando protocolos padronizados de qualidade metodológica melhor, mostraram resultados positivos, o que levou parte da literatura a classificá-la como uma prática com evidência promissora, ainda que o corpo de estudos disponível seja menor do que o de outras abordagens mais consolidadas. Vale tratá-la como parte de um plano mais amplo, com metas claras e reavaliação frequente, não como solução isolada.
Por que elas costumam andar juntas
Na prática, o que costuma funcionar melhor é a criança ter, ao mesmo tempo, um espaço para organizar o corpo (na TO) e um espaço para organizar a relação e a comunicação (no Floortime), com as duas frentes conversando entre si sobre o que está sendo trabalhado.
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Este artigo faz parte do guia completo: Abordagens Terapêuticas para Autismo: Comparativo.