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Como é uma sessão de Floortime na prática

Uma pergunta que sempre recebo das famílias no primeiro encontro é: “mas o que a gente realmente faz numa sessão de Floortime? É só brincar?” E a resposta curta é: sim, é brincar, mas é uma brincadeira com muita intenção por trás. Deixa eu te mostrar como isso acontece na prática.

O ambiente da sessão: Eu me sento no chão, no mesmo nível da criança. Os brinquedos que uso costumam ser simples, bolas, almofadas, bolhas de sabão, panos, de propósito evito brinquedos eletrônicos que “brincam sozinhos”, porque eles tiram da criança a necessidade de interagir comigo para a brincadeira continuar. Quanto mais simples o objeto, mais espaço sobra para a troca entre nós duas.

Eu sigo, eu não conduzo: Esse é talvez o princípio mais importante do Floortime, e o que mais surpreende os pais: eu não entro na sessão com uma lista de atividades para “ensinar”. Eu observo o que a criança já está fazendo, mesmo que seja algo repetitivo, como alinhar carrinhos ou girar um objeto, e entro nessa brincadeira com ela, usando minha voz, minha expressão e meu corpo para tornar aquele momento mais interessante e convidativo. Não é sobre corrigir o que ela está fazendo, é sobre me juntar a ela ali onde ela está.

Os pequenos desafios lúdicos: Uma vez dentro da brincadeira, eu começo a introduzir pequenos “obstáculos” de forma bem sutil e divertida: seguro o brinquedo um pouco fora do alcance, finjo não entender o que ela quer, ou “sem querer” bloqueio o caminho até o que ela está buscando. Isso não é para frustrar a criança, é para criar oportunidades gentis para que ela precise se comunicar comigo para conseguir o que quer, seja com um olhar, um gesto, um som ou uma palavra.

Abrindo e fechando círculos de comunicação: Se você já leu o artigo sobre os seis degraus do desenvolvimento emocional, deve lembrar dos círculos de comunicação, aquela troca de “eu faço um sinal, você responde, eu respondo de volta”. É exatamente isso que eu busco multiplicar dentro de uma sessão: não existe um número mágico de círculos que precisamos abrir, o que importa é manter cadeias longas e ininterruptas de troca, em vez de interações isoladas e curtas.

E o papel dos pais? Aqui está uma diferença importante do Floortime em relação a muitas outras abordagens: os pais não ficam só observando de fora. Em boa parte das sessões, eu oriento vocês em tempo real enquanto vocês brincam com seu filho, dando dicas ali, no momento, “tenta esperar mais um pouco antes de responder”, “abaixa ainda mais, fica no olhar dela”. A ideia é que esses princípios saiam da sala e entrem na rotina de casa, em pequenos momentos ao longo do dia, e não como “mais uma terapia” a ser cumprida. E, sim, o seu próprio estado emocional entra nessa conta: uma criança se regula melhor quando encontra um adulto regulado ao seu lado, por isso, cuidar de como vocês estão chegando pra essas trocas também faz parte do processo.

No fim, cada sessão é uma trama tecida entre a curiosidade da criança e a nossa disposição de entrar no mundo dela sem pressa. É um trabalho que parece simples de fora, mas que carrega uma intenção terapêutica em cada escolha, do brinquedo ao tom de voz.

Se você quer entender melhor como isso funcionaria com o seu filho, ou já quer agendar uma primeira conversa, clique no botão abaixo e vem falar comigo pelo WhatsApp!

Este artigo faz parte do guia completo: DIR/Floortime: O Que É e Como Funciona.

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