Quando eu falo sobre Floortime com as famílias que atendo, uma pergunta quase sempre aparece: “mas por que vocês se abaixam pra brincar no chão? Isso realmente ajuda no desenvolvimento?” E a resposta está em uma teoria que sustenta tudo o que fazemos nas sessões: o modelo das Capacidades Funcionais Emocionais, desenvolvido pelo psiquiatra infantil Stanley Greenspan, criador do DIR/Floortime.
Greenspan observou que o desenvolvimento de uma criança não acontece apenas através de habilidades isoladas, falar, apontar, brincar de faz de conta, mas por meio de uma sequência de capacidades emocionais que vão se construindo uma sobre a outra, como degraus de uma escada. Cada novo degrau depende da solidez do anterior. E é justamente por isso que, no Floortime, não ensinamos comportamentos prontos: nós fortalecemos a base emocional para que a criança suba esses degraus no seu próprio ritmo.
Vamos conhecer os seis degraus:
1. Autorregulação e interesse pelo mundo: Ainda nos primeiros meses de vida, o bebê começa a se organizar diante dos estímulos do ambiente, sons, luzes, toques, movimento, sem se desorganizar ou se fechar. É a base de tudo: sem essa capacidade de se regular e se interessar pelo que está ao redor, fica difícil construir qualquer conexão depois.
2. Engajamento e vínculo afetivo: Aqui a criança passa a sentir prazer genuíno na presença do outro, o sorriso ao ver a mãe, o olhar que busca o cuidador. É o começo da intimidade humana, a vontade de estar junto simplesmente porque é bom estar junto.
3. Comunicação recíproca intencional: A criança começa a abrir e fechar “círculos de comunicação”: ela faz um gesto, você responde, ela responde de volta. Um sorriso que gera outro sorriso, um som que é imitado. É aqui que nasce a intencionalidade, ela começa a perceber que suas ações têm efeito sobre o outro.
4. Resolução compartilhada de problemas: A criança encadeia vários desses círculos de comunicação em sequência para alcançar um objetivo, como puxar sua mão até a prateleira onde está o brinquedo que ela quer. É um salto importante: ela está organizando o comportamento e resolvendo problemas em conjunto com outra pessoa.
5. Criação de ideias e uso de símbolos: Por volta de um ano e meio, a criança começa a representar o mundo simbolicamente, no brincar de faz de conta (“a boneca está com fome”) e no uso das primeiras palavras carregadas de significado. Ela não está apenas agindo sobre os objetos: está criando ideias sobre eles.
6. Pensamento lógico: Nesse degrau, a criança começa a conectar ideias entre si de forma lógica e causal, “primeiro vamos vestir o casaco, depois vamos andar de bicicleta”. É a capacidade de construir pontes entre pensamentos, essencial para o raciocínio e para a comunicação mais elaborada.
Algo que gosto muito de reforçar com as famílias: esses degraus não são uma escada rígida que se sobe uma vez só e pronto. Uma criança pode estar bem desenvolvida em um degrau e ainda precisar de apoio em outro, principalmente quando há desafios sensoriais ou motores no caminho, como costuma acontecer no autismo. É exatamente aí que entra o “I” do DIR: as Diferenças Individuais de cada criança, no processamento sensorial e motor, moldam o jeito único como ela sobe (ou revisita) cada um desses degraus.
Entender esses seis degraus muda a forma como a gente enxerga cada sessão de Floortime: não é só brincadeira, é um trabalho cuidadoso de fortalecer, degrau a degrau, a base emocional que sustenta toda comunicação, todo pensamento e todo aprendizado futuro da criança.
Se você quer entender em qual desses degraus seu filho está e como podemos ajudá-lo a segui-lo com mais segurança, clique no botão abaixo e vem conversar comigo pelo WhatsApp. Será um prazer te acolher nessa jornada!
Este artigo faz parte do guia completo: DIR/Floortime: O Que É e Como Funciona.
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